Jogo Responsável

Quando o jogo torna-se compulsão: como identificar e onde buscar ajuda?

Você revisa os jogos passados e se planeja com frequência para os próximos jogos, demonstrando ser isso uma preocupação diária? Aumentou o valor da aposta para sentir ainda mais o frio na barriga? Ficou irritado ao parar de jogar ou nas tentativas de jogar em menor frequência? Tentou e tentou, mas não obteve sucesso nas tentativas de parar com o jogo? Foi jogar a fim de escapar de algum problema que estava enfrentando? Mesmo tendo perdido todo seu dinheiro, retornou no dia seguinte em busca de recuperar a perda? Chegou a mentir para familiares a fim de esconder informações sobre seus jogos? Cometeu atos ilegais, como falsificação ou até roubo para não perder aquela partida? Já perdeu um compromisso importante com a família ou uma boa oportunidade no emprego por conta do jogo? Precisou de ajuda financeira de outras pessoas para conter os danos financeiros causados nas partidas?

JOGO RESPONSÁVEL

Essas situações são familiares para você? Se você respondeu que sim a metade dessas perguntas, é importante compreender que os jogos também podem causar o que chamamos de dependência comportamental e que ela pode acontecer com todos nós. Essas perguntas estão elencadas pelo DSM-IV (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) como critérios diagnósticos para diferenciar um jogador responsável daquele compulsivo. Sendo assim então, esta  é uma condição que extrapola o controle individual e requer ajuda especializada de médicos e psicólogos. Neste artigo iremos falar mais sobre o assunto: como definimos o jogo patológico, suas possíveis consequências, o que fazer nessas situações e onde buscar ajuda.

Para a grande maioria do time, o ato de jogar é um momento de entretenimento. Foi a programação escolhida para relaxar no final de semana, ao invés de ir ao cinema ou passear no parque. É uma atividade eventual, afinal, não a frequentamos quase todos os dias ou até todos os dias. Também não pensamos compulsivamente sobre o filme que iremos assistir ou o percurso que faremos no parque. Logo, mais uma atividade eventual e responsável. Entretanto, quando o ato de jogar torna-se central na sua vida, ou seja, caracterizado pela persistência, recorrência e a crônica e progressiva incapacidade do ato de resistir ao jogar, temos um alerta de que precisamos repensar sobre o assunto: você pode ser um jogador compulsivo.

Jogador com Problemas

O ato de jogar como uma atividade de entretenimento causa sensações diversas no nosso corpo com a liberação de hormônios relacionados ao prazer, como a noradrenalina e a dopamina. Assim como o ambiente também é estruturado para favorecer essas sensações através das cores, das luzes e até dos sons. O jogador experimenta sensações como o medo, prazer, sentimentos de risco ou de esperança, excitação, bem estar, euforia, poder e sucesso. Como uma montanha russa de sensações, muitos jogadores dão-se por satisfeitos depois da primeira viagem, independente de seus ganhos e perdas, afinal, a diversão foi grande! Para uma outra parcela, os breves momentos de ganho se sobrepõem às perdas e uma viagem somente não é suficiente, nessa brincadeira todos ao redor sofrem consequências graves.

A realidade do jogador compulsivo molda-se pouco a pouco para centralizar o jogo como aspecto de maior importância na sua vida. É visível que no início, os ganhos tornam-se o combustível para o jogador continuar na ativa, ele acredita que suas vitórias ocorrem não por sorte e sim por alguma habilidade ou superstição. Dessa forma, o jogador ignora o fator de incerteza inerente aos jogos de azar e iludindo-se e se mantém otimista mesmo diante de novas jogadas com resultado diferente: a perda. E mesmo diante de grandes prejuízos financeiros, o jogador compulsivo continua a jogar, em muitas ocasiões impulsionado pelo desespero.

No jogo compulsivo não são somente consequências financeiras que o indivíduo enfrenta. Programações pessoais, como o jantar com a família, passear com os filhos no parque ou visitar os pais no interior deixam de ter a mesma importância, causando conflitos no ambiente familiar. Assim como nos compromissos profissionais, os indivíduos com problemas de compulsão no jogo frequentemente registram atrasos no trabalho e falta de comprometimento com suas atividades laborais, podendo chegar até a demissões. Até mesmo atividades cotidianas que antes traziam prazer, como ouvir ao seu disco favorito, encontrar os amigos para um bate papo ou até mesmo a rotina de higiene pessoal tornam-se menos importantes que o ato de jogar. Para além desses fatores financeiros e sociais, é comum termos indivíduos apresentando graves problemas psicológicos em detrimento da compulsão com o jogo, como insônia, ansiedade, depressão, ideações suicidas, dentre outros.

Caso você tenha se identificado com os sintomas aqui apresentados neste artigo, saiba que esta é uma situação reversível e podemos listar três passos em busca de uma vida saudável:

1) Reconhecer o problema: o jogo compulsivo assim como outros tipos de dependência possuem a característica de gradualmente irem afetando a vida do sujeito, esse aspecto dificulta que o indivíduo assuma que há um problema, afinal os sinais ocorrem aos poucos.

2) Conversar com seus familiares e amigos: buscar aproximação com as pessoas que fazem parte de sua rede de apoio mesmo diante de um afastamento por conta do jogo compulsivo é fundamental. Buscar acolhimento e conversar abertamente sobre o assunto dará forças para enfrentar a recuperação.

3) Procurar ajuda especializada: É indispensável agendar uma consulta com o médico psiquiatra que poderá fazer uma avaliação da condição de dependência do jogador, a terapia com psicólogos e em grupos de apoio também são fundamentais para o tratamento a longo prazo.

Como frisamos neste artigo, a compulsão é um problema que cresce gradualmente tornando-se central, obscurecendo outros aspectos da vida do jogador e, que extrapola a sua força de vontade, sendo necessário ajuda especializada de médicos, psicólogos e grupos de apoio. Fizemos uma lista com centros de apoio a jogadores compulsivos:

Jogadores Anônimos

Grupo de Apoio à Jogadores Compulsivos com reuniões remotas e presenciais nas principais capitais brasileiras. 

Site: https://jogadoresanonimos.com.br

Virando o jogo

Programa de acolhimento aos jogadores, através da identificação dos sinais e acompanhamento virtual, além de orientação aos seus familiares.

Site: http://viraojogo.org.br/portal/

Programa Ambulatorial do Jogo Patológico

Telefones: (11) 2661-7805 | (11) 2307-7805

e-mail: proamjo.secretaria@gmail.com

Autor

Camila Bezerra
Camila Bezerra
Psicólogo clínico

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